Blockchain: a máquina de criação de confiança

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O programa Fantástico da Rede Globo recentemente divulgou duas reportagens nas quais taxa a moeda digital Bitcoin como sendo algo vil e obscuro, utilizada apenas para transações escusas. Repletas de desinformações, as matérias que foram ao ar para milhões de brasileiros tratam esta inovação de maneira injusta, principalmente por ignorarem o pode revolucionário da tecnologia por trás do protocolo Bitcoin: a Blockchain.

Nesta semana, contudo, a renomada revista The Economist publicou reportagem que ajuda a entender a real dimensão das benesses que ainda estão por vir para a sociedade a partir da invenção de Satoshi Nakamoto.

Em artigo que apareceu na edição internacional da revista, a publicação afirma que o ceticismo de outrora está dando lugar ao entusiamo de órgãos reguladores e instituições financeiras, como prova a recente decisão da corte suprema da União Europeia que reconheceu o bitcoin como moeda e também a associação de 25 bancos na start-up R3 CEV, que quer estudar a tecnologia. O Santander, por exemplo, acredita que US$ 20 bilhões podem ser economizados até 2022 com a utilização de blockchains. Enquanto isso, a Nasdaq em breve começará a utilizar a tecnologia para realizar registro de ativos de companhias privadas.

A revista pontua que “esta inovação carrega um significado que se estende muito além criptomoeda. O blockchain permite que pessoas que não têm confiança umas nas outras colaborarem sem que uma autoridade central neutra necessite existir. Em poucas palavras, é uma máquina que cria confiança”.

Para entender o poder dos sistemas blockchain, e as coisas que eles podem fazer, é importante distinguir entre três coisas que são comumente confundidas, nomeadamente a moeda bitcoin, a Blockchain subjacente à moeda, e a ideia geral de blockchains desvinculadas à criptomoeda.

Uma analogia que ajuda a entender esse cenário pode ser feita com o Napster, o pioneiro, porém ilegal, serviço de troca de arquivos “peer-to-peer” (P2P) que surgiu na Internet em 1999, permitindo que milhões de músicas fossem trocadas por meio da rede mundial de computadores. O programa em si foi rapidamente retirado do ar, mas é inegável que ele inspirou uma série de outros serviços P2P, como o Skype (para a telefonia), o Spotify (para ouvir música online) e também o bitcoin.

O blockchain é uma tecnologia ainda mais potente que estas acima mencionadas. Em sua essência, é um livro de registros público, compartilhado e confiável que qualquer um pode inspecionar, mas que nenhum usuário consegue controlar.

Os participantes do blockchain coletivamente mantêm o livro de registros atualizado e ele pode apenas ser modificado se houver consenso geral. O Blockchain do bitcoin evita que haja, por exemplo, transações duplicadas e mantém registro das transações continuamente. É o que torna possível a existência de uma moeda sem um banco central.

Em outro trecho, a The Economista afirma: “as blockchains possuem uma série de usos porque elas atendem a necessidade de um registro confiável e verificável, algo vital para transações de qualquer tipo. Muitas start-ups esperam se capitalizar em cima da tecnologia blockchain, seja criando soluções inteligentes que utilizem a Blockchain do bitcoin ou criando novas blockchains”.

Uma das ideias, por exemplo, é fazer databases de custo inexpressivo e à prova de violação para o registro de terras, como já vem sendo implementado por Honduras e Grécia, ou registros de posse de artigos de luxo e obras de arte.

A popularização das blockchain pode ser uma má notícia para aqueles que estão nos negócios de verificação de propriedade, como são os casos das instituições centrais de burocracia, como os bancos, as casas de liquidação, autoridades governamentais e até os cartórios. “Mesmo que alguns bancos e governos estudem a tecnologia, outros agentes irão certamente lutar contra”, diz a The Economist.

Para a revista, criar regulações para a tecnologia neste estágio atual de desenvolvimento é má ideia e pode ser um erro fatal. “A história das tecnologias P2P sugere que é provável que leve muitos anos antes que a tecnologia atinja seu potencial completo”, diz a reportagem. “A inovação real não são as moedas digitais em si, mas a máquina de criação de confiança (blockchain) que os empodera – e cuja qual promete muito mais além disso”, conclui o artigo.

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1 comentário
  • Rede globo é merda!!! Sinto pena de quem assiste tv. Se o povo ao invés de ver televisão estuda-se e achasse formas de ganhar dinheiro “honesto” o brasil não estaria a merda que está.