WEST HOLLYWOOD, CA - FEBRUARY 15: TV personality Paris Hilton attends her birthday party at Greystone Manor Supperclub on February 15, 2014 in West Hollywood, California. (Photo by Imeh Akpanudosen/Getty Images)

Blockchain: a nova namoradinha do mercado financeiro

WEST HOLLYWOOD, CA - FEBRUARY 15: TV personality Paris Hilton attends her birthday party at Greystone Manor Supperclub on February 15, 2014 in West Hollywood, California. (Photo by Imeh Akpanudosen/Getty Images)

E de repente, a blockchain ganhou status de mocinha linda, que figura nas principais capas de jornais e revistas do mundo e é o assunto do momento nas rodas de conversa do mercado financeiro.

Aparentemente, ninguém arquitetou de forma voluntária esta que pode ser considerada a grande jogada de marketing da história da moeda digital, mas o que a mídia e também os bancos, que passaram a reverenciar as blockchains privadas, se esquecem é que a grande e verdadeira disrupção tecnológica está no casamento entre a “fera” e a “bela”: o bitcoin e a Blockchain.

A iminente eclosão de blockchains privadas sem dúvida otimizará as transações que hoje são feitas com a necessidade de um sistema intermediador. Contudo, a benesse de não haver uma autoridade central controlando o seu dinheiro não se materializará caso a moeda bitcoin seja deixada de lado, como parece ser o plano daqueles que dominam o status quo vigente.

No fundo, o que por exemplo a R3 CEV, iniciativa que congrega mais de 25 bancos, está tentando fazer é criar um banco de dados distribuído, que não é público e que, obviamente, será controlado por essas instituições.

A pergunta que fica é: por que eles não fizeram isso antes?

A resposta não pode ser outra: porque em nenhum momento da história, até o surgimento do protocolo de Satoshi Nakamoto, eles se sentiram pressionados a ponto de buscar tal inovação.

O revolucionário protocolo Bitcoin, com sua potencialidade de destruir o modelo de negócio que os bancos perpetuam por séculos, os forçou a encontrar alternativas para remodelar o obsoleto sistema financeiro mundial. Afinal, esperar dias para que uma transação financeira seja feita, a um custo exorbitante, não ajuda ninguém a viver melhor.

Outras perguntas interessantes seriam: os consumidores finais serão beneficiados de alguma forma caso as blockchains privadas inundem o sistema financeiro global? Ou a inovação servirá apenas para otimizar e aumentar as receitas das instituições financeiras? A história mostra que os bancos não são mocinhas lindas.

O grande problema de imagem do Bitcoin está associado com os usos, em teoria, indevidos da moeda, como compra de drogas pela Internet, evasão de divisas e coisas do gênero. O ponto é que no mundo pré-bitcoin, e ainda hoje também obviamente, essas práticas ilegais também ocorriam e ocorrem. A moeda digital em si não tem o poder de aumentar ou diminuir esses crimes. Ela é apenas um meio de pagamento, como qualquer outro.

O potencial do Bitcoin está em garantir a todos os seres humanos o direito à privacidade financeira. Se nós trabalhamos e ganhamos nosso dinheiro, por que não podemos ser efetivamente os donos dele? Por que temos que depositar nossos recursos para uma instituição terceira, que pode fazer o que bem entender com isso? E ainda por cima lucrar em cima do nosso dinheiro.

Ainda veremos quanto tempo demorará para que a indústria financeira enxergue que o verdadeiro valor da inovação não está no livro distribuído da blockchain e, sim, na plataforma aberta de inclusão financeira que não depende de terceiros e de cartéis, algo que antes do Bitcoin nunca existiu para a humanidade.

É justamente o fato do Bitcoin ser uma rede aberta e pública que o torna revolucionário a ponto de mudar a relação de como as pessoas lidam com o dinheiro. O Bitcoin não é revolucionário porque ele pode mover recursos de um lugar para outro de forma mais rápida e barata que os bancos, pois afinal o gargalo das instituições financeiras para realizarem transações mais eficientes não é tecnológico, já que eles simplesmente estão mandando mensagens digitais que representam as transações.

O problema está no excesso de burocracia e nas enormes barreiras de entrada impostas pela regulação. O que fica claro é que o mercado financeiro é muito competente em fazer lobby junto aos governos e reguladores, mas é apenas um garoto presunçoso em termos de inovação.

E é isso que o Bitcoin promete para mudar o mundo: autonomia e transparência radical como remédios pra assimetria de informação.

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