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O Bitcoin vive um plebiscito?

Tem sido assim desde os primórdios da humanidade. A comunidade cresce muito, os problemas surgem, as opiniões divergem e os que preferem amarelo ficam de um lado enquanto o pessoal do azul vai para o outro. O protocolo Bitcoin vive exatamente este momento.

O tamanho do bloco, ou seja a quantidade de operações que podem ser processadas por segundo, está em discussão. De um lado, aqueles que defendem a manutenção do atual tamanho limite de 1MB, o famigerado Bitcoin Core. Na outra ponta da mesa, encabeçados pelos desenvolvedores Gavin Andresen e Mike Hearn, estão os defensores do Bitcoin XT, um novo protocolo divulgado no dia 15 de agosto que possui um bloco bem maior, com limite de 8MB. No meio, está a turma do deixa disso, tentando encontrar uma solução pacífica e rápida para o problema, como a proposta do BIP 100, que parece ter sido aceita por boa parte da comunidade, ou até a nova ideia do Bitcoin-NG.

No último final de semana, em Montreal, no Canadá, aconteceu uma das mais importantes reuniões da história do bitcoin. Durante a conferência “Scaling Bitcoin”, desenvolvedores discutiram abertamente sobre a questão da expansão do tamanho do bloco, com a participação de Sven Grabe, CTO da CoinBR.

Jacob Donnelly, do site Cryptobrief.com, que esteve presente no encontro, descreveu a reunião como “a discussão mais aprofundada sobre bitcoins” que ele já participou. “A maioria queria encontrar uma resposta para este dilema”, escreveu Donnelly em seu site.

Uma nova alternativa, desenvolvida por Adem Efe Gencer, Emin Gün Sirer e Robert Van Renesse, chamada de Bitcoin-NG visa menor latência, maior taxa de transferência e mais segurança na rede bitcoin com base em mudanças no processo de mineração das moedas.

A proposta recomenda quebrar o processo de mineração criando um bloco, que não possui conteúdo, mas elege um “líder”, e microblocos, que conteriam apenas o conteúdo das transações. O número arbitário que decide que leva os 25 bitcoins distribuídos como recompensa aos mineradores a cada 10 minutos seria decidido pelo primeiro bloco, enquanto que as transações que seriam adicionadas ao blockchain teriam seus vencedores determinados pelo segundo bloco.

Os brasileiros também estão divididos em relação ao tema. O CEO da Blinktrade, Rodrigo Souza, é bastante incisivo no tema. Ele acredita que os desenvolvedores que propuseram o XT estão tentando empurar o novo protocolo “goela abaixo”. “É uma tentativa de golpe por parte dessas pessoas”, afirma. Ele acredita que os custos para se rodar nós de bitcoin aumentarão. “Os nós passarão a ser operados por empresas. O número de nós vai diminuir”, opina. Souza diz que sua empresa roda mais de 100 nós e que ele não vê vantagem para migrar para o XT.

O CEO da Pagcoin, João Paulo Oliveira, é a favor do XT. “Entendo que na prática o XT é uma consulta pública à comunidade. A rede atual permite processar 7 transações por segundo. A Visa processa cerca de 3000 transações por segundo”, pondera o empresário. Ele alerta que toda essa discussão gera muita insegurança para potenciais novos usuários da moeda. “Existe um dano de imagem devido a esse assunto”, avalia.

Fernando Bitti, mantenedor do site Bitcoin nos Negócios, avalia a questão financeira da discussão. “Alguns usuários podem achar que vão ganhar mais dinheiro se o bloco for pequeno, porque os usuários pagariam taxas mais altas. Outros acham que com um maior volume de transações, as taxas poderiam ficar mais baixas”.

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